Não é difícil nos dias atuais nos depararmos com notícias sobre a crise, ou mesmo notar em nosso cotidiano mudanças decorrentes dessa turbulência. Depois da quebra do banco Lehman Brothers, a euforia que tomava conta do País – devido ao excelente desempenho do PIB – deu lugar à queda de confiança da indústria e do consumidor ao menor patamar já registrado. A consequência disso foi a diminuição de cerca de 25% no ritmo de produção na indústria e a desaceleração no consumo, também pressionado pelas demissões no final de 2008. Mas e o futuro, 2009 será ruim? Pelos números divulgados até agora, a expectativa para o restante do ano é boa.
A sustentação desse cenário vem da análise da série histórica de vendas do varejo no Rio Grande do Sul, que até setembro crescia a taxas próximas a 8,5% (no acumulado). Por isso, mesmo com a queda verificada nos dois primeiros trimestres de 2009, o comércio permanece com índices confortáveis, se compararmos com o histórico varejista ou mesmo com a queda na indústria.
Prova disso foi o desempenho do último Natal, que sob os impactos da crise teve vendas equivalentes ao ano de 2007, o maior da série histórica do IBGE. Outro fator que contribui para um cenário mais ameno para 2009 é a mudança que vem se desenhando na estrutura social do Brasil. Segundo uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV), a Região Metropolitana de Porto Alegre apresenta desde 2003 uma redução nas classes E e F, em 34% e 20%, respectivamente.
Ao mesmo tempo, houve crescimento nas classes A, B e C de, aproximadamente, 31% e 22%. O rendimento médio real, ou seja, a renda dos consumidores continua com crescimento positivo e, se comparado a 2007, o mês de fevereiro esteve quase 7% acima. Também não podemos deixar de relacionar os recentes cortes na taxa de juros, que deve fechar o ano em 9,25%.
O impacto de uma redução de 11,25% para 10,25%, já realizada pelo Banco Central, pode ocasionar uma elevação em até 1,5% do volume de vendas, através do aumento na oferta de linhas de crédito mais longas e baratas. Enfim, o que esses números indicam é que, apesar das dificuldades econômicas que o Brasil vive desde o último trimestre de 2008, o ano de 2009 vai terminar com desempenho superior ao de 2007. Portanto, sim, 2009 tem tudo para ser produtivo e rentável.