Muitas vezes é bom a gente voltar no tempo. Pensar num passado não tão remoto. No tempo de uma cidade mais pacata. No tempo de uma cidade mais segura. No tempo de uma cidade mais humana. No tempo de uma cidade menos tumultuada. No tempo de uma cidade mais comunicativa. No tempo de uma cidade onde se podia observar do alto de um morro as luzes desta cidade. Sua paisagem. No tempo em que só havia um canal de televisão. No tempo em que a fita de vídeo teipe era uma grande novidade. No tempo da Piratini. Piratini situada nos altos do Morro Santa Teresa. Morro da Televisão. Morro esse com um paradouro onde todos os turistas que aportavam na capital dos gaúchos iam observar, a qualquer hora do dia e da noite, os “arranha-céus” da cidade e sua paisagem junto ao lago Guaíba. O paradouro do Morro da Televisão. Paradouro esse onde hoje é perigoso e inseguro ir até lá, mas a paisagem mudou, pois ao invés de da cidade se observa outra realidade da cidade: casebres irregulares colocados junto a um dos locais mais lindos da capital dos pampas e inúmeros pedintes. É uma outra realidade.
E a Piratini?
O prédio está ali. Como antes. Imponente. O nome também. Hoje ali está situada a TVE e a FM Cultura, juntas formando a Fundação Piratini.
E a velha Piratini? A Televisão Piratini Canal 5. O primeiro canal de Televisão do Rio
Grande do Sul. Esta foi… Foi junta com o espólio dos Diárias e Emissoras Associadas. Um a pena! Mas ela foi…
Ali estava o início da história da TV do Rio Grande do Sul. Ali trabalharam ou iniciaram suas atividades junto ao veículo televisão entre outros: Zeno Ribeiro, Sílvia Ruschel, Paulo Ruschel, Edgar Pozzer, Luis Carlos Magalhães, Lurdes Rodrigues, Salimen Júnior, Aderbal D´ Ávila, Renato Pereira, Sérgio Jockymann, Renato Cardoso, Guilherme Sibemberg, Enio Mello, Norberto Baldauff, os irmãos Adão e Paulo Pinheiro, Inês Schneider. Astros e estrelas da maior grandeza da comunicação gaúcha. Volta e meia também aparecia por aqui Hebe Camargo e alguns outros do centro do país.
Tudo na nossa Piratini. De tão saudosa memória para todos nós. Tudo na “velha” Piratini!
Na Piratini do Repórter Esso, Grande Show Wallig, dos teleteatros – tudo e sempre ao vivo. Programas tão ao gosto dos tele-espectadores e televizinhos, pois muitos portos alegrenses não possuíam aparelhos de televisão. Tudo ao vivo! Ainda não existia o “vídeo taipe” – chegou muito tempo depois… ainda na Piratini. Piratini da televisão “preto e branco” pois não existia televisão colorida. Hoje muitas pessoas nem sabem o que é isso…
Parece mentira, mas isso tudo em Porto Alegre, e não muito distante de hoje.
Como é bom a gente fazer um exercício de memória. A gente pensa que tudo nasceu hoje…
Eram tempos da Piratini. Piratini Canal 5.
As crianças não dormiam enquanto não vinha à publicidade dos cobertores Paraíba: “Está na hora de dormir…” com sua “musiquinha” tradicional… Que todos cantavam…
Tudo no tempo da Piratini, Canal 5.O canal do indiozinho…
Autor: David Iasnogrodski – engenheiro, administrador, escritor
E-mail do autor: david.ez@terra.com.br
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