Quem acompanha meus escritos sabe que gosto de escrever sobre tudo que se relacione às pessoas, mesmo considerando os riscos que corro, pois isso não é tarefa fácil. Mas pergunto a vocês, caros leitores: existe coisa mais instigante do que escrever sobre gente? Creio que não. Mas é exatamente isso que me atrai. Conforme diz uma de minhas leitoras, temos sempre que ousar e arriscar. Caso contrário, não tem graça. Nossa tendência por natureza é de sermos individualistas e materialistas. Muitas vezes, esquecemos que precisamos dos outros. Esquecemos do principal: que somos gente. Podemos ser pequenos personagens na vida, mas, quem sabe, protagonistas de uma grande história. Não podemos ser simplesmente mais um João, um Pedro ou mais uma Maria na multidão. Devemos ser participativos e representativos. Temos que nos perguntar do que exatamente estamos atrás. No momento em que fazemos esta descoberta, nossas carências aumentarão. Embora alguns resistam em admitir, eu acho que somos eternos carentes. E que bom que somos assim. É sinal que temos alma e coração. Sentimentos… Necessitamos amar e ser amados. Temos carência de afeto e carinho; de olhar e ser olhado no fundo dos olhos quando falamos com os outros. Gostamos de abraços, beijo na boca e de fazer sexo. Precisamos de elogios e de críticas; precisamos e gostamos de estar rodeados de amigos e pessoas a quem amamos. Carecemos de fazer o bem e nos abatemos com o mal. A maior parte da nossa população é gente sofrida. Gente que, mesmo passando fome e não tendo onde morar, vai levando a vida. Suas carências são tão grandes que, às vezes, uma simples notícia boa é motivo para acharem que “ganharam o dia”. Um sorriso pode mudar radicalmente o dia de quem o receber. Algum dia, em um determinado momento, vamos precisar da bondade de alguém. Por que sorrir para os outros se tornou algo tão difícil? Por que temos tanta dificuldade em tocar, fazer um carinho, dizer uma palavra gentil para outras pessoas? Escrevi sobre tantas coisas simples, mas que, às vezes, resistimos em aceitar o fato de que delas precisamos. Somos insatisfeitos e muito complicados mesmo. Necessitamos destas carícias para viver a vida com mais felicidade e do melhor jeito possível. O mundo é maravilhoso. Cabe, então, a nós deixar aflorar nossos sentimentos para que nossa vida seja um passeio, sempre lembrando que, de mãos dadas, é muito mais prazeroso. Autor: Henrique Carvalho Kuhn – Montenegro – RS
E-mail: hckuhn@terra.com.br
Publique seu artigo. Clique aqui e acesse mais informações sobre publicação de artigos…