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O emprego e o desemprego no Brasil no início de 2004

No interior dos Estados há maior dinamismo, nas atividades ligadas à exportação ou agroindústria

O combate ao desemprego e a formulação de políticas de incremento do emprego e da renda são prioridades do governo Lula. O atual nível de desemprego tem origens estruturais que se agravaram durante a década de 90 principalmente com a abertura comercial sem critérios e a política de sobrevalorização irresponsável do câmbio que elevaram os altos níveis de desemprego do início da década a patamares mais elevados.
O esforço que fizemos para estabilizar a economia no ano de 2003 nos permite hoje vislumbrar um novo patamar da política econômica que já vem mostrando reflexos. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que é um registro administrativo de toda movimentação no emprego que as empresas privadas devem  informar mensalmente ao Ministério do Trabalho e Emprego, já apresentou, em 2003, um saldo positivo de 645.433 novos postos de trabalho formais.
Tal tendência tem se mostrado também no início do ano de 2004. No período janeiro a março de 2004, foi registrado o melhor desempenho do nível de emprego com carteira assinada desde 1992, início da série histórica do Caged. Neste trimestre, foram criados 347,4 mil empregos.


  1. Por setor de atividade, houve expansão do emprego formal em todos os segmentos. Cabe destaque ao desempenho da Indústria e Serviços, que responderam por cerca de dois terços do total de novos empregos: no setor industrial, foram abertas 124,9 mil novas vagas neste primeiro trimestre e, nos serviços, outras 122,0 mil.
  2. No setor industrial, todos os ramos de atividade ampliaram o nível de emprego com carteira assinada. Os resultados mais expressivos, em termos de volume, foram registrados nas Indústrias de Borracha, Fumo e Couro (24,8 mil vagas), Calçados (13,5 mil vagas) e Metalúrgica (13,6 mil vagas).
  3. A expansão do assalariamento com carteira assinada nos Serviços é explicada, neste primeiro trimestre de 2004, em grande medida pelo desempenho de dois segmentos de atividades que, juntos, criaram 60% das novas vagas: Serviço de Comércio e Administração de Imóveis (41,2 mil vagas) e nos Serviços de Ensino (31,9 mil vagas). Ressalte-se que, como na Indústria, todos os ramos dos serviços apresentaram saldo positivo do emprego no primeiro trimestre de 2004.
  4. A ampliação do assalariamento com carteira assinada ocorreu em praticamente todas as Grandes Regiões, exceto no Nordeste. Nesta região, o saldo negativo no primeiro trimestre de 2004 (-29,9 mil vagas) deveu-se à retração do emprego nos Estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. Em todos os demais Estados do país, houve aumento do emprego assalariado no trimestre jan-mar de 2004, que foi mais intenso nos Estados do Centro Oeste.
  5. No contraponto entre regiões metropolitanas  e interior, a tendência foi de comportamento mais favorável do emprego assalariado fora dos espaços metropolitanos. O nível de emprego no interior apresentou, no primeiro trimestre de 2004, desempenho em geral mais favorável, exceto no Pará (em que o emprego em Belém cresceu mais que no interior), no Ceará (onde registrou-se pequena ampliação em Fortaleza, contra redução nas demais áreas) e em Pernambuco (onde a queda do emprego no interior mostrou-se mais intensa que na RM).   
  6. Este saldo inegavelmente positivo do emprego formal no país, no primeiro trimestre de 2004, não é incoerente com os resultados das pesquisas domiciliares realizadas nas regiões metropolitanas (PED e PME). As diferenças registradas indicam que:
    a)     a dimensão do problema de emprego no interior é distinta do observado em regiões metropolitanas, onde aquelas pesquisas são realizadas. No interior dos estados, o dinamismo vem se mostrando maior, seja por efeito da agroindústria, seja pela localização de algumas cadeias produtivas que têm se destacado no esforço exportador, como é o caso de calçados e couros e peles;
    b)     dado o tamanho do contingente em desemprego acumulado ao longo dos anos 90 e início desta década, a expansão do emprego formal é, em termos relativos, ainda relativamente modesta para iniciar a reversão do quadro. Tomando como exemplo a Região Metropolitana de São Paulo, na qual foram abertas 56,0 mil novas vagas formais somente no primeiro trimestre, apenas o crescimento vegetativo da oferta de mão-de-obra exigiria pouco mais de 200 mil novos empregos para não aumentar a taxa de desemprego.

Por fim, os dados apresentados neste primeiro trimestre, apesar de alentadores, ainda estão longe de reverter a elevação estrutural do desemprego no país. Acreditamos que a melhoria dos indicadores estará fortemente ancorada no amplo processo de revitalização econômica, que ao mesmo tempo que atente para o crescimento do mercado externo eleve a renda dos cidadãos e permita a ampliação do mercado de consumo interno.
As medidas macro e microeconômicas já tomadas pelo nosso governo, que visam assegurar estabilidade econômica, com inflação baixa e juros progressivamente mais baixos, a ampliação da oferta de crédito em vários segmentos, a gestão do FGTS e FAT com foco no emprego, o crescimento das exportações e da demanda interna deverão sustentar a geração de empregos em patamar capaz de reverter o crescimento do desemprego e gerar um novo ambiente no mercado de trabalho brasileiro.








 


 














































Estado

Região Metropolitana

Interior

 


Pará


 


  1,27


 


0,81


 


 


Ceará


 


 0,10


 


-2,02


 


 


Pernambuco


 


-1,10


 


-6,40


 


 


Bahia


 


0,84


 


1,63


 


 


Minas Gerais


 


1,37


 


1,55


 


 


Rio de Janeiro


 


0,40


 


1,15


 


 


São Paulo


 


1,42


 


2,42


 


 


Paraná


 


1,50


 


2,68


 


 


Rio Grande do Sul


 


1,59


 


4,20



Autor: Ricardo Berzoini – Ministro do Trabalho.

Fonte: Lei 4.923/65 – MTE
No interior e nas regiões metropolitanas dos principais Estados.


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