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M&M Contabilidade

O pior líder da sua vida ainda mora em você?

Existe um tipo de liderança que não deixa apenas cicatrizes profissionais

Liderança tóxica pode impactar comportamento e decisões profissionais

Ela atravessa algo mais profundo.

Ela altera a forma como a gente enxerga o trabalho, as relações. e, silenciosamente, a nós mesmos.

Eu vivi isso

Trabalhava em uma empresa que, até hoje, amo profundamente.

Uma relação de mais de 25 anos – como profissional, como cliente, como alguém que acreditava no que aquela marca representava.

Era um ambiente raro.

Havia autonomia de verdade.

Entrega com responsabilidade.

Inovação que não precisava ser anunciada – porque era vivida.

E, acima de tudo, havia algo que poucas organizações conseguem sustentar por muito tempo: felicidade
no trabalho.

Sim, felicidade. E então veio a mudança.

Uma nova gestora assumiu a área.

Antes mesmo de qualquer convivência real, já existia um “saber coletivo”.

Aqueles conhecimentos que ninguém documenta, mas todo mundo entende.

Ela só trabalhava com quem queria.

E, para fazer isso, utilizava uma estratégia silenciosa – sofisticada na forma, mas previsível na
intenção: desacreditar pessoas.

Desconstruir reputações.

Criar dúvidas ondeantes havia confiança.

Isolar quem não fazia parte do seu plano.

Eu soube, imediatamente, que seria desligada.

Não foi uma sensação.

Foi uma leitura clara de contexto.

E então começou.

A autonomia – que sempre foi parte da minha entrega – desapareceu.

Passei a ser acompanhada em todas as agendas. Todas.

Inclusive naquelas em que a presença dela não fazia qualquer sentido.

Os parceiros percebiam.

O constrangimento era sutil. mas coletivo.

Mas o mais marcante não foi a vigilância.

Foi a incoerência. Discursos desalinhados com atitudes.

Desorganização travestida de urgência.

Decisões tomadas sem qualquer análise de consequência – mas sempre acompanhadas de uma narrativa forte o suficiente para justificá-las.

E talvez o mais complexo de tudo: Uma tentativa constante de performar humanidade.

Falava de fé.

Se emocionava.

Chorava em momentos estratégicos.

Mas, na prática, não havia cuidado.

Não havia desenvolvimento.

Não havia escuta.

Não havia construção.

Não havia liderança.

Havia estratégia.

E ela seguia um roteiro claro:

desacreditar ? enfraquecer ? substituir.

Comigo, não funcionou.

Mas com outras pessoas. funcionou.

E é aqui que essa história deixa de ser sobre ela.

E passa a ser sobre todos nós.

Porque eu vi, de perto, o impacto real desse tipo de liderança.

Não em resultados.

Mas em pessoas.

Vi profissionais brilhantes mudarem.

Uma delas endureceu.

Se tornou mais fria.

Mais distante.

Menos conectada com tudo aquilo que antes a movia.

Era como se tivesse aprendido que sentir demais custava caro.

A outra. foi ainda mais longe.

Se tornou exatamente aquilo que um dia sofreu.

Passou a reproduzir o mesmo padrão que antes criticava.

Deixou de desenvolver pessoas

Parou de confiar.

Passou a construir narrativas em vez de construir times.

Hoje, precisa provar o tempo todo que quem está ao redor não é bom o
suficiente.

Porque isso sustenta o próprio lugar.

E talvez essa seja uma das maiores distorções da liderança: quando alguém deixa de crescer pessoas.

para passar a justificar decisões.

E é nesse ponto que a pergunta deixa de ser confortável – e passa a ser necessária quantos de nós
carregamos, sem perceber, traços dos piores líderes que tivemos?

A liderança tóxica não termina quando você sai da empresa

Ela não fica no crachá que você devolveu.

Nem no desligamento que você superou.

Ela continua.

Se infiltra.

E, sem vigilância, ela se manifesta.

Na forma como você reage ao erro.

Na forma como você constrói – ou destrói – confiança.

Na forma como você desenvolve. ou desiste de pessoas.

Na forma como você escuta – ou ignora – quem pensa diferente de você.

Existe um risco silencioso aqui.

E ele não está no outro.

Está em nós.

Nos tornarmos exatamente aquilo que mais criticamos.

Por isso, liderança não é apenas sobre conduzir o outro.

É sobre observar a si mesmo.

É sobre perceber quando a dor vira padrão.

Quando a defesa vira comportamento.

Quando a sobrevivência vira estilo de gestão.

Porque, no final, não é sobre o líder que te feriu.

É sobre quem você escolhe ser depois disso.

E talvez a frase mais dura – e mais necessária – seja essa:

às vezes você não foi substituído por alguém melhor.

Só por alguém que aprendeu rápido a jogar o mesmo jogo. E isto pode ir contra a tudo que vc tentou construir. você só não percebe, o que é o pior!!!

A pergunta é:

você está jogando. ou está liderando?

Autora: Claudete Cordeiro é especialista em Customer Experience, atendimento estratégico e gestão de operações de relacionamento. Com mais de 30 anos de experiência, atuou na liderança de centrais de atendimento 24×7 e na formação de equipes de alta performance. Fundadora da Licht Consultoria, trabalha com a transformação da cultura de atendimento e cobrança humanizada. É MBA em Neurociência, Psicologia Positiva e Mindfulness e pesquisadora do impacto da felicidade e da segurança psicológica nos resultados organizacionais.

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