Rua da Praia que não tem praia.
Tem gente! Muita gente…
Tem a praça da Alfândega.
Tinha até cinemas. E muitos cinemas.
Tem a Feira do Livro. Na Praça da Alfândega…
Nesta praça. Nesta rua a alguns anos atrás, numa manhã outonal de sábado vi passar um senhor simples.
De cabelos brancos. Fumando um cigarro – parecendo que estava acompanhado de um “grande” amigo. E era o “seu” cigarro… De óculos cuja armação era escura.
Era ele. Disse-me um transeunte, também simples.
O “poeta das coisas simples”.
Mario Quintana!
Neste 2006. Neste julho de 2006. Neste 30 de julho de 2006 completaria 100 anos.
Aquele senhor. Aquele poeta que o vi passar. Não falei com ele. Não me conhecia. Mas fiquei a pensar até hoje: ele é o Mário Quintana. Aquele que disse em certa ocasião: ” Se alguém acha que está escrevendo muito bem, desconfia… O crime perfeito não deixa vestígios”.
Mário Quintana do “velho” Correio do Povo e o caderno H.
Mário Quintana e sua “briga” com a Academia Brasileira de Letras.
Mário Quintana do Alegrete.
Mário Quintana adorado por Manuel Bandeira, Carlos Drumonnd de Andrade, Vinicius de Moraes, Cecília Meirelles e João Cabral de Melo Neto.
Mário Quintana disse no seu Poeminha do Contra: “Todos esses aí estão/ atravancando meu caminho,/ eles passarão…/ eu passarinho.
Quintana, o nosso Mário, durante a revolução de 1930, liderada pelo gaúcho Getúlio Vargas, entusiasmado foi para o Rio de Janeiro como voluntário do Sétimo batalhão de caçadores de Porto Alegre. Seis meses depois regressou para a sua capital.
Porto Alegre. A Porto Alegre do hotel Majestic. Situado na Rua da Praia. Sua morada.
Inicia-se aí a fase das traduções dos clássicos franceses e ingleses para a Editora Globo.
Balzac, Proust, Voltaire, Virgínia Wolff, Charles Morgan e Moupassant tiveram suas primeiras versões no Brasil pelas mãos do nosso poeta maior: Mário de Miranda Quintana.
Deixou de lado o Miranda ficando somente Mário Quintana.
Tantos anos sem sua presença física, mas sempre com sua cultura e sua obra.
Disse Quintana: ” um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente… e não a gente a ele!”
Mário Quintana, sempre presente entre nós!
Tchau!
Autor: David Iasnogrodski – engenheiro, administrador, escritor
E-mail: david.ez@terra.com.br
Sobre o autor:
David Iasnogrodski é formado em Engenharia Civil, Administração de Empresas e Administração Pública pela UFRGS.
Exerce atividades como Engenheiro Civil, na Prefeitura de Porto Alegre, e, como professor, na Faculdade São Judas Tadeu, ADVB/RS e ABRH, nas disciplinas que envolvem o mundo dos negócios, com ênfase na área motivacional.
É colaborador de diversos jornais, tendo conquistado o primeiro lugar no Concurso Nacional Literário da Casa do Poeta Riograndense/2001.
Autor dos livros: “Obrigado Porto Alegre”, “Atendimento 10 – A Fórmula do Sucesso” , “Meu Bom Fim Brasileiro“, e dos Livros CD: “A Marca é que Marca” e “Moderna Relação Marketing e Vendas“.
