É de manhã!
Saio pela rua.
Caminhando.
Cantando.
Assobiando.
Passa o ônibus.
Com ar condicionado.
Lotado!
Não é o meu!
Graças a Deus!
Senão o próximo só daqui a 15
minutos…
Estou no ponto!
Ponto do ônibus.
Muitos como eu a espera do
“coletivo”.
Lá vem “ele” diz o menino.
Está junto com uma senhora portando
bengala.
Também com ar condicionado… Que
legal!
“Ele” para.
Subimos.
“Um passinho, por favor,” – diz o
cobrador.
E todos se empurram…
“Fecha atrás” diz novamente o cobrador,
desta vez para o motorista.
Consegui sentar, dois pontos à
frente.
Fico a reparar a paisagem.
A mesma.
Todos os dias.
Com sol.
Com chuva, frio ou calor.
Às vezes “ela” muda. Sujeira, novos
buracos, ou início de novas obras. Só isso.
No mais é sempre a mesma.
E “ela” vai passando pelos meus
olhos.
É a paisagem.
Ruas, prédios, árvores, gente…
Vou me aproximando.
Aproximando-me do local do trabalho.
Do local da rotina.
É ali.
Do outro lado.
Do outro lado da avenida.
Avenida larga.
Atravesso.
Atravesso com muito cuidado.
Com muito medo.
Atravesso na faixa.
Na faixa de segurança.
É ali que vou fazer.
Só em pensar fico a pensar: “O que
fazer?”
Todos os dias.
Faz exatamente 25 anos, dois meses e
17 dias.
A mesma rotina.
E depois com o pôr do sol – voltar.
Voltar tudo.
E fico a pensar “com meus botões”:
“Amanhã novamente”.
É a vida….
É de manhã.
Saio pela rua.
Caminhando.
Cantando.
Assobiando.
O que fazer?
É a
vida…
Por
David Iasnogrodski.