Semana passada, estreou nos cinemas o filme cujo tema retrata a vida do poeta rebelde “Cazuza”. Mas não é sobre o filme que quero falar. Em algum programa de TV, ouvi a mãe do músico dizer, não me recordo bem de suas palavras, mas resumiu dizendo que morrem cedo os que muito fizeram.. Isso me fez lembrar de outros astros da musica que nos deixaram cedo, e que semelhante a Cazuza, viveram rápida, mas intensamente. Como não lembrar de Renato Russo, Cássia Eler, Elis Regina, Janis Joplin e Elvis Presley?
Todos se assemelham no seu comportamento perante a vida. Artistas de talento incontestáveis, brilhantes mas assustadoramente sem limites, e sem medo “do que iam dizer”. Provocavam, ora gritavam contra a hipocrisia, ora choravam ao interpretar emocionantes músicas, ora punham o peito à mostra, literalmente. Protocolos nunca foram a sua praia, e é preciso ter peito para romper regras. Viveram para si e seus ideais, foram fiéis apenas a eles mesmos, ousaram por não ser nada mais do que eles próprios.
“É tão estranho, os bons morrem antes…”, já dizia Renato Russo com a sabedoria de sempre. Vou contrariar um pouco a sabedoria de Renato Russo e o tom conformista da mãe de Cazuza ao declararem que os melhores morrem antes. Se isto realmente fosse uma regra, cada dia a mais na nossa vida prova ainda que não fizemos algo de tão bom assim. E já que estamos falando de musica, o que dizer então de Frank Sinatra, Dorival Caymi, Roberto Carlos e Ray Charles falecido há poucos dias ….
Não há duvida que artistas do estilo de Cazuza fossem possuidores de um talento surpreendente, mas o que os distingue de artistas que sobrevivem muitas décadas? Lamentavelmente é a vida desregrada que levavam, arriscando-se dia a dia. O que os fizeram morrer antes? Se Cazuza não morresse de AIDS, talvez seria de uma overdose, um acidente de transito, não sei, mas o poeta como sua própria musica dizia, era uma “exagerado”. O motivo que fez da vida deles tão marcante e curta eu não sei, mas também não podemos afirmar que foi por serem bons além da conta, e será que foram tão bons assim? Bons para quem? Será que Elis Regina e Cássia Eler deram bons exemplos aos filhos? Não sei. “Existem mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia” já dizia Schakespeare.
Todos somos bons e maus em algo. Dificilmente somos éticos em todas as esferas da nossa vida. Se você é um profissional dedicado talvez não esteja sendo suficientemente ético com a sua família. Sempre há o outro lado da moeda. O ônus e o bônus.
A morte destes ídolos denuncia a falta de cuidado que tiveram com a própria vida. Sabemos que ninguém está livre de sofrer um acidente ou de perder alguém da família nas circunstâncias em que eles morreram, porém, algumas perdas são de uma tolice indescritível.
Autora: Vanessa Assmann – Consultora de Empresas
e-mail da autora: Vanessa.sa@tutopia.com.br
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