“A
desinformação ou preconceito em relação ao trabalho temporário não pode ter vez
num Estado que enfrenta demandas hiperexigentes e num curto espaço de tempo.
Seja para uma Copa do Mundo, seja por pequenos pedidos que precisam ser
entregues urgentemente, os
temporários estarão aptos para resolver e solucionar”
A recente enxurrada
de vagas e oportunidades que estampam nossos jornais pode iludir o leitor.
Em uma primeira
análise, infere-se que novas oportunidades de trabalho significam crescimento
pujante da economia, com novas frentes, novos desafios. Mas a realidade,
dificilmente, é impressa junto às mensagens aos candidatos. Por vezes, nem
mesmo o empresário sabe o futuro que o espera, e deposita hoje investimentos e
esperanças que podem não se concretizar nos anos seguintes.
Grande parte das
demandas por mão de obra qualificada está ocorrendo de maneira inédita no
Brasil. Empresas e setores antes acostumados a trabalhar com determinados picos
de contratação, se vêem diante de uma incontinência de profissionais, que acaba
por afetar toda a estrutura empresarial, da folha de pagamento às relações
internas, até a percepção dos concorrentes. Naturalmente, o empresário amplia
sua fé de que tudo cresce, o Brasil está bom, os ventos sopram com
generosidade. Porém, apenas a contratação massiva não soluciona no longo prazo,
pois quanto mais gente “em casa”, maior a probabilidade de adversidades,
conflitos, pois são pessoas novas que ainda não absorveram a cultura – se tiver
– daquela organização.
Diante deste
cenário, o empresário tem que abrir os olhos para soluções mais eficientes e
que busque flexibilidade nas relações de trabalho, sincronizando a demanda com
a contratação de profissionais. E é aqui que entra a genialidade do trabalho
temporário, respaldado por lei desde 1974, mas que ainda hoje, no século XXI,
não é explorado como nos demais estados do Brasil e do mundo. O trabalho temporário
oxigena o fluxo das pessoas na empresa, incentiva a competitividade interna,
fomenta a qualidade e ainda serve de porta de entrada para muitos jovens
ansiosos mostrarem seu potencial no mercado na condição de primeiro emprego.
Tudo isso devido ao tempo de atividade, que pode durar de três a seis meses.
Outro detalhe
importante é que de nada adianta analisar a estrutura de um projeto, serviço,
empresa, se antes não se avaliar as pessoas que tocam o trabalho. Todos sabemos
das virtudes e fraquezas do ser humano, e o comodismo, infelizmente, é uma das
características que mais emperram o desenvolvimento profissional. A famosa zona
de conforto não encontra alimento no trabalho temporário. Não dá tempo. O
profissional sabe que o prazo se esgota e que precisa aforar todo seu
potencial, gana e perspicácia para conquistar a tão sonhada vaga efetiva. É um
instinto natural, nunca vai acabar.
É temporário, mas
pode significar efetivo. Como todo anseio de empresário é ter um time formado
com os valores da própria organização, a modalidade representa um teste para
identificação de novos capitais intelectuais, novas mentes e mãos que podem
fazer a diferença. A desinformação ou preconceito em relação ao trabalho
temporário não pode ter vez num Estado que enfrenta demandas hiperexigentes e
num curto espaço de tempo. Seja para uma Copa do Mundo, seja por pequenos
pedidos que precisam ser entregues urgentemente, os temporários estarão aptos
para resolver e solucionar.
Por Flávio Nascente dos
Santos.