Ontem eu li uma estória muito curiosa, na qual faço
uma adaptação.
Reza a
lenda que há tempos no Brasil, dois leões fugiram da jaula de um velho circo.
Eram o que se poderia chamar de leões descuidistas (ou seja,
que se aproveitam do descuido alheio).
Os
dois leões foram correndo pela mata adentro se separando na colina do Morro do Centenário, na Serra da Independência. Um
deles adentrou-se na mata, o outro ficou na colina. O primeiro totalmente
perdido foi parar no extremo a Asa Norte, a Fazenda do Riacho, onde foi
enjaulado imediatamente pelos funcionários, para segurança da população local,
e fim da escapulida do bicho fujão.
Passaram-se
quatros semanas e nada de aparecer o segundo leão. Falava-se do animal em tudo
quanto é rádio, jornal, bares, e nada. Ninguém sabia do paradeiro do danado.
Ao final das quatro semanas, o segundo leão chegou ao extremo da Asa Norte, a
Fazenda do Riacho, onde também foi enjaulado pelos funcionários, colocando-o
junto ao primeiro.
A diferença entre os dois era notável até para olhos desatentos. O que marchara
direto a mata adentro estava magro e adoentado, e o que ficou na colina
estava gordinho e com a juba exuberante.
Nesse momento, estabeleceu-se o seguinte diálogo entre os dois:
– Leão 1: Aonde você foi, para estar com essa aparência tão boa?
– Leão 2: Quando eu fiquei na colina, avistei vários prédios altos,
enormes, que depois ouvi chamarem de Praça dos Três Poderes. Eu a cada dia
entrava em um dos prédios, e me escondia numa salinha. E todo dia eu
devorava duas pessoas. Foi assim durante todos esses dias.
– Leão 1: Mas e por que você fugiu, se em cada prédio havia fartura e
ninguém suspeitava de sua salinha?
– Leão 2: Uma tremenda bobeira minha. Devorei a mulher do cafezinho de
cada prédio. Foi aí que todos me descobriram, e tive que sair correndo pra cá.
Tiramos
as nossas conclusões.
Por Mazenildo Feliciano Pereira.