Quando alguma pessoa, coisa ou acontecimento nos contraria ou aborrece é preciso que perguntemos a nós mesmos porque ficamos entristecidos ou revoltados.
Só dessa forma é possível dissipar as barreiras que muralham nossa própria consciência.
Não compensa e nem resolve nossos problemas o ser melancólico.
A alegria deve ser meta em nossas vidas.
A felicidade, na medida em que vivemos e convivemos é algo a ser conquistado e esta é uma vitória que devemos obter sobre nós mesmos.
Tal estado de espírito precisa ser encontrado através do estudo de nossa própria forma de pensar.
É necessário que saibamos o porquê as coisas nos infelicitam.
Isso requer uma análise ou estudo que começa por perguntar-nos sobre o motivo da contrariedade.
Ou seja, buscar a causa de cada contratempo e saber a razão que o motiva é o caminho.
Isso requer, inclusive, uma critica a nós mesmos, pois, muitas vezes a culpa é nossa mesmo.
Nem sempre o modelo ou aquilo que pensamos ser a verdade é realmente o verdadeiro.
A responsabilidade pelo desagrado pode e quase sempre está instalada em nosso cérebro constituindo um sistema que nos leva a desejar que o mundo seja igual a nós, sem imaginar que precisamos nos igualar a ele em muitas coisas, ainda que com elas não concordemos.
Fundamentam-se nossas mágoas, outras tantas vezes, no inconformismo e falta de ver com relatividade o que sucede.
Em sentido absoluto a vida não nos pertence, nem no início, nem no fim.
Administramos, apenas, os meios.
Exercemos a existência por um ato de doação do destino e o defeito original está em pensar que somos o centro exclusivo de todas as coisas.
Possuímos o privilégio de viver, mas, não o absoluto domínio sobre a vida.
Analisar, pois, como os fatos se comportam dentro de nossa mente é uma forma de buscar soluções para a conquista da paz que precisamos para empreender a missão que nos cabe.
Há cerca de dois mil e quinhentos anos Buda já advertia sobre a necessidade de realmente conhecer-nos, a respeito dos defeitos que a mente pode acumular com as inseguranças que nela podem estar arquivadas, principalmente as do medo e da ansiedade defluente.
Há dois milênios Marco Túlio Cícero igualmente advertia para o mesmo tema em sua obra sobre “Os deveres”.
Há mais de três séculos, também, o francês René Descartes, em estudo filosófico, em sua monumental dissertação sobre “As paixões da alma” indicava os caminhos para a conquista da felicidade.
Portanto, quando Freud enunciou suas teses científicas sobre a análise dos pensamentos e do inconsciente, já as lições da filosofia oriental e ocidental já haviam sinalizado a respeito de tal necessidade.
Obter respostas dentro de nós mesmos, porque nos deixamos dominar pelas tristezas, é o caminho correto a ser seguido.
Nessa tarefa devemos ser imparciais, ou seja, também nossa pessoa deve estar em julgamento, pois muitas coisas que nos aborrecem são criadas por nós mesmos.
Autor: Antônio Lopes de Sá – vice-presidente da Academia Nacional de Economia, Presidente da Associação Internacional de Contabilidade e Economia, Medalha de Ouro João Lyra, máxima comenda outorgada a um Contador pelo Conselho federal de Contabilidade, autor de 176 livros e mais de 13.000 artigos publicados no Brasil e no Exterior.
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