Está aumentando o número de telefones e microcomputador e diminuindo o de freezers.
Uma população mais velha e que está mudando hábitos de consumo é um dos quadros revelados pela PNAD 2003 (Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios). Os dados apontam tendências que devem influenciar o desenvolvimento de negócios nos próximos anos no País, em busca dos mercados que estão se abrindo.
A PNDA é elaborada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que interpreta a pesquisa como uma comprovação de que está havendo redução de desigualdades regionais e melhoria na distribuição de serviços públicos, apesar de ter ocorrido queda no rendimento médio dos trabalhadores e aumento do desemprego.
Segundo o instituto, a população de 60 anos ou mais de idade continua crescendo gradativamente no País, passando de 6,4% dos brasileiros, em 1981, para 9,6%, no ano passado. Em números absolutos, essa proporção mostra que em 2003 o Brasil tinha 16,7 milhões de pessoas com pelo menos 60 anos.
Esse é o segmento que mais cresce entre os extratos da população. Para o consultor de empresas José Castro Schwartz, o dado mostra a importância de haver serviços e ofertas voltadas para essa faixa etária, o que abre perspectivas de negócios para pequenas empresas. Ele cita os empreendimentos nos setores de saúde e lazer como promissores nos próximos anos.
A PNAD destaca que, entre 2002 e 2003, cresceu 14,5% o número de residências com microcomputador e acesso à internet. No ano passado, 15,3% das moradias tinham microcomputador e 11,4% desses equipamentos estavam ligados à rede mundial. Essas são condições que apontam condições favoráveis ao desenvolvimento do comércio eletrônico.
Já a venda de freezeres vem caindo, continuando uma mudança de hábito criada durante o racionamento de energia. Em 1999, 19,6% dos domicílios brasileiros tinham esse tipo de congelador, proporção que caiu para 17,7% no ano passado. Isso cria reflexos para o setor de produtos congelados, que devem buscar embalagens apropriadas aos freezeres que já vem acoplados às geladeiras.
Em dez anos, entre 1994 e 2003, a proporção de domicílios com telefone no País passou de 19,8% para 62%, o que mostra os efeitos da privatização do setor. No período mais recente, segundo o IBGE, é possível notar que há um aumento maior do uso dos celulares do que dos telefones fixos.
Em 2001, o número de domicílios apenas com telefone celular era de 7,8% do total, passando para 11,2%, no ano passado. Nesse mesmo período, os domicílios apenas com telefone fixo caíram de 27%, para 23,4%.
Entre 1993 e 2003, os domicílios com acesso à iluminação elétrica cresceram de 90% para 97%, em todo o País. A região com maior aumento foi o Nordeste, mesmo que continue sendo a que tem o pior desempenho no quesito. Ali, a proporção passou de 75,7% para 91,7%.
No mesmo período, o número de residências que não tinha acesso ao fornecimento de água caiu de 25% para 17,5%. No Nordeste, o crescimento da rede de distribuição fez com que a proporção de residências atendidas passasse de 57% para 72,1%.
Uma outra tendência que vem crescendo e que aponta um mercado em expansão é o de pessoas que moram sozinhas. O IBGE revela que “em dez anos, o percentual de domicílios com apenas um morador aumentou de 7,5% para 10,2%”.
Um número preocupante da PNAD é o que aponta queda do rendimento médio real dos assalariados de 18,8%, entre 1996 e 2003. Segundo a pesquisa, no ano passado o rendimento médio real dos trabalhadores foi de R$ 692,00, uma queda de 7,4% em relação a 2002, quando havia sido de R$ 747,00.
Segundo o IBGE, a queda mais recente é reflexo dos ajustes na política econômica, iniciados no final de 2002, que contribuíram para a desaceleração da economia, no ano passado. Para agravar a situação, a taxa de desemprego passou de 9,2%, em 2002, para 9,7%, em 2003, atingindo 8,5 milhões de pessoas.
A pesquisa foi realizada em todo o Brasil, com exceção das áreas rurais da Região Norte, de 28 de setembro de 2002 a 27 de setembro de 2003.