Entidade atenderá empresas de todos os segmentos na região de Porto Alegre; a flexibilização para a criação dessas entidades foi determinada pelo governo federal
A informação foi dada pelo gerente do Banco Central em Porto Alegre, Josué Biachi, à superintendência do Sebrae no Rio Grande do Sul. Em junho passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou a flexibilização de acesso e criação dessas entidades pelo Banco Central. Antes disso, as cooperativas somente poderiam ser criadas por empresas do mesmo segmento e categorias profissionais.
A Sicredi Empreendedores poderá atender qualquer micro e pequena empresa associada que esteja instalada na Região Metropolitana de Porto Alegre. Vai oferecer linhas de crédito, financiamento, cartão de crédito, desconto de duplicatas, cheques e outros serviços financeiros e bancários.
A estimativa é que a cooperativa tenha 700 associados nos próximos 12 meses, podendo chegar a um capital social de R$ 600 mil, valor que, em conjunto com o volume de depósitos e negócios realizados pelos associados, poderá alavancar até R$ 1,5 milhão em empréstimos para eles ao longo desse período.
A iniciativa de criar uma cooperativa de crédito de micro e pequenas é resultado de parceria entre o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) no Rio Grande do Sul e o Sicredi (Sistema de Crédito Cooperativo).
Assim, o projeto reuniu as experiências do Sebrae/RS, na qualificação, organização e articulação das micro e pequenas empresas e parceiros, e do Sicredi, que há 100 anos atua em cooperativismo de crédito.
Também colaboraram com a iniciativa entidades como a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, a Assintecal, o Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria de Massas e Biscoitos do Rio Grande do Sul, a Associação de Jovens Empresários do RS e a Federação das Associações de Jovens Empresários do RS (Fajers). Além do apoio institucional, essas entidades e seus integrantes estão participando como sócios.
“Quando agregamos representantes de vários segmentos, garantimos a segurança financeira da cooperativa, já que uns setores são mais tomadores de crédito e outros mais poupadores”, avalia o superintendente do Sebrae/RS, Deomedes Roque Talini, sobre a característica da cooperativa de crédito de reunir micro e pequenas empresas de todos os segmentos da economia.
A aprovação da criação da cooperativa pelo Banco Central permite a realização da assembléia de fundação. “Acreditamos que a assembléia aconteça entre janeiro e fevereiro de 2004. Depois faremos o registro nos órgãos oficiais e a previsão é que a cooperativa esteja operando em março do próximo ano”, diz a diretora de Operações do Sebrae/RS, Susana Kakuta.
Outra grande vantagem de ser associado da cooperativa de micro e pequenas empresas é que o empresário será também dono da cooperativa e decidirá como serão investidos os recursos e aplicadas as sobras. O empresário, para associar-se à Sicredi Empreendedores, deverá ter faturamento de até R$ 1,2 milhão, conforme são classificadas as micro e pequenas empresas, de acordo com o estatuto do segmento.
O interessado devem apresentar também endereço comercial na área de atuação da cooperativa e pagar uma cota de R$ 200,00 para pessoa física (mas vinculado a uma micro ou pequena empresa) e de R$ 800,00 para pessoa jurídica, parcelado em até quatro vezes.
Os recursos recolhidos com os pagamentos dos sócios, bem como o lucro das operações de crédito com o capital da cooperativa e as taxas de serviços por ela prestados reverterão diretamente para os sócios.
“Esse é o cunho social da cooperativa de crédito das micro e pequenas que, com sua criação, coloca o Rio Grande do Sul novamente como pioneiro do cooperativismo de crédito”, diz Susana Kakuta, lembrando que há 102 anos, em Nova Petrópolis, foi criada a primeira cooperativa de crédito do Brasil – Sicredi Pioneira.
Os empresários de micro e pequenas empresas que quiserem associar-se, e se beneficiar dos serviços que serão prestados pela cooperativa de crédito, podem obter informações na Central de Atendimento do Sebrae/RS, pelo telefone 51 3216 5006. “É bom lembrar que não basta somente associar-se. O cooperado deve ter participação ativa nas assembléias para que sejam garantido o sucesso e o cumprimento das metas da entidade”, diz Susana Kakuta.