Mauro Tonucci é um empresário que enfrentou dificuldades, deu a volta por cima e conquistou o mercado externo. Ele fabrica monitores para medição de batimentos cardíacos. Em 2003, decidiu exportar e ampliar mercado. Para isso, investiu US$ 30 mil para mostrar o produto em feiras internacionais. A experiência, no entanto, foi uma decepção.
“Não vendemos uma peça. A pergunta era sempre a mesma: custo e tecnologia”, relembra Mauro.
O empresário não teve dúvidas: lutou para tornar o equipamento competitivo e vencer a difícil concorrência internacional. Para isso, procurou o IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo. Desde 1999, funciona no IPT programa de apoio tecnológico à exportação, o Progex. O programa faz adaptações em produtos brasileiros, para torná-los exportáveis. Entre eles, equipamentos médicos, secadores de cabelo e até roupas para bebês.
“Uma roupa de bebê, por exemplo, não entra no mercado americano se tiver cordões, que podem sufocar a criança ou se encolher. Portanto, quando o produto está totalmente fora dos padrões, conseguimos transformar num item totalmente adaptado ao mercado americano, inclusive, agregando valor. No caso da roupa de bebê, com bichinhos da nossa fauna brasileira”, explica Mari Katayama, coordenadora do Progex. “Outro exemplo é um secador, que acabava interferindo em outros equipamentos ao ser ligado. Com os ensaios, ele não interfere mais no ambiente e está totalmente adequado para mercados mais exigentes”, complementa Mari Katayama.
No IPT, para fazer as adaptações necessárias, os produtos são levados para um laboratório. Durante dois meses, o monitor para medição de batimentos cardíacos do empresário Mauro passou por uma bateria de mais de 100 testes. O aparelho foi examinado por um dedo metálico, recebeu descargas de até quatro mil volts e alguns testes foram na pancada mesmo.
“O que precisa ser verificado é se você tem um risco de levar choque. Um copo d’água, por exemplo. Existem ambientes onde pode haver um risco acidental de derrubar água nos equipamentos. A gente simula essa situação”, conta o chefe do laboratório, Júlio Teixeira.
No final, o aparelho foi reprovado e o empresário recebeu um relatório com as alterações necessárias para adequar o produto às exigências internacionais.
CONSULTORIA ACESSÍVEL A TODOS
Qualquer pequena empresa pode participar do programa. Basta ter um protótipo do produto que quer exportar e procurar o IPT de São Paulo ou institutos similares nas principais capitais brasileiras. Parte da consultoria é bancada pelo Governo Federal. No atendimento padrão, o empresário paga R$ 4, 6 mil, o equivalente a 1/4 do preço do serviço. O programa já fez adaptações em mais de 750 produtos brasileiros.
“O governo levantou o valor das exportações desses produtos e temos um acréscimo de 106% no volume das exportações, de 2003 a 2005. Isso é muito mais do que a média brasileira de exportações”, aponta a coordenadora do projeto.
De volta à empresa, o empresário pôs a mão na massa e fez todas as alterações sugeridas. O trabalho durou seis meses e foi acompanhado de perto pelos técnicos do IPT. A resistência do monitor foi reforçada, o visual foi renovado e os circuitos modificados. As alterações geraram economia.
O aparelho ganhou um banho de tecnologia. Os componentes mais modernos reduziram o peso de sete para quatro quilos. Ele também ficou menor. O resultado é que agora é possível despachar mais equipamentos no mesmo container de exportação e o custo do frete ficou 30% mais barato.
Antes de exportar, o empresário levou o equipamento de volta ao IPT. No laboratório, novos testes avaliaram as mudanças.
“Agora o equipamento tem condições de ser exportado. Parabéns”, felicita o chefe do laboratório.
O empresário não perdeu tempo. Voltou a mostrar o produto no exterior e já exportou 150 monitores.
“Este ano, a nossa meta é ter 30% do nosso faturamento de exportação para Europa, Estados Unidos e América Latina”, comemora.
REVISTA
A revista Pequenas Empresas e Grandes Negócios, publicada em março de 2007, traz uma reportagem especial sobre consultorias que ajudam os pequenos empresários. Para obter mais informações, acesse o site http://empresas.globo.com.