Olha a graxa!
Olha a graxa!
Lá vai ele.
O engraxate e seu equipamento de
trabalho.
Também passamos, muitas vezes, por
alguns lugares onde situam algumas cadeiras fixas dos engraxates.
Em barbearias.
Em praças.
Tenho respeito por todos os profissionais
e por suas profissões.
Tenho a formação em Engenharia,
Administração de Empresas e Administração Pública.
Mas, com muita honra, também fui um
engraxate. Ajudava um tio meu – o “Tio Chimia”, Samuel Golbert, irmão de minha
mãe, que possuía uma engraxataria. Ali no bairro Caminho do Meio. Na Protásio
Alves 385, na frente onde moravam meus avós – Jaime e Adélia.
Aos sábados à tarde e nas tarde que
não tinha muitas tarefas do colégio eu me dirigia ao local e ali exercia o ato
de engraxar e lustrar os sapatos. Muito aprendi com os “verdadeiros
profissionais” do lustro de sapatos.
Volto a dizer: muito aprendi com meu
tio e com os “colegas”.
Sim, eles me consideravam colega,
mesmo sendo da família do “dono”.
A tradição deste profissional de
engraxar sapatos remete ao ano de 1806, quando alguém poliu as botas de um
general francês e foi recompensado com uma moeda.
Por volta de 1877, com a imigração
italiana, na cidade de São Paulo, apareceram os primeiros engraxates.
Percorriam a rua com uma pequena caixa de madeira com suas latas, escovas e
outros objetos. Como hoje. As cadeiras de engraxate, diz a história que foram
inventadas por Morris Kohn, em 1890.
Muita saudade “daqueles bons tempos”.
Dos tempos de “engraxate”.
Da Porto Alegre de outrora.
Da Porto Alegre de outros tempos.
Olha a graxa!
Olha
a………….
Por
David Iasnogrodski.