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M&M Contabilidade

Quem paga os mensalões


Todos devem estar se perguntando quem é que paga os ‘mensalões’ para os deputados federais votarem a favor do governo? De onde vem o dinheiro para este pagamento? Será que a verba já estava destinada no orçamento da União? O que se sabe é que a Receita Federal anunciou com alegria mais um recorde de arrecadação. Só no mês de abril, nada menos que R$ 31,95 bilhões foram retirados da sociedade e entregues ao governo federal. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), o governo brasileiro aumentou a tributação em mais de 10% do PIB, ou seja, aproximadamente 170 bilhões “extras” arrecadados ao ano.


É fato que quanto mais dinheiro o estado dispõe, mais ele gasta. Até aqui nada de novo, pois nós também somos assim, quanto mais ganhamos, mais gastamos. Neste caso, o dinheiro é nosso e foi ganho com trabalho. Entretanto, o governo gasta o que não é dele e gasta mal, seja por má gestão, por corrupção ou por desbaratamento.


Mas para onde foi este aumento na arrecadação? Certamente o dinheiro não ficou com os empresários nem com os trabalhadores, pois, conforme publicou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento médio dos assalariados diminuiu em 21% nos últimos dez anos. Porém, a cada ano o governo, por culpa do excesso de impostos, bate recordes de arrecadação, e denúncias de corrupção no setor público vêm à tona diariamente, sem falar de outras inúmeras desconfianças que nem sequer são esmiuçadas e permanecem desaparecidas dentro dos corredores governamentais. Será que o Brasil está à deriva? Para manter esta farra, ou em alguns casos a governabilidade, o governo brasileiro aciona a Receita Federal, que como órgão arrecadador busca todos os artifícios para aumentar sua receita, chegando até mesmo a caçar contribuintes eletronicamente. Acredite, pois apenas um erro de digitação nas declarações prestadas a Receita Federal leva o contribuinte a ser inscrito na dívida ativa e ainda sujeito a sanções penais.


A voracidade é tanta que não sabemos mais qual a Medida Provisória ou o escândalo da vez.
Ou o estado é reformado, ou vai se tomar uma grande Venezuela. Não há mais clima, nem condições para continuar aumentando a carga tributária. O brasileiro está no limite. Contudo, o
governo federal já fez questão de divulgar que não haverá qualquer redução da alíquota da
CPMF, nem diminuição de impostos e tributos nos próximos anos. È muito mais fácil governar com dinheiro em caixa. Mas a sociedade brasileira, apesar de não suportar mais tanta pressão, está paralisada diante de tantos escândalos. Se não fosse a pressão das entidades de classe, a medida provisória 232 seria aprovada na íntegra e as agressões tributárias teriam sido maiores. Juros altos, gastos alucinantes, dívida interna altíssima, impostos demasiados, até quando vamos aguentar calados? A única maneira de o Brasil dar certo é novamente o levante das entidades de classe, unidas com a classe média – que é quem segura a parte de baixo e sustenta a parte de cima da economia deste País -, para impedir novos aumentos de impostos e mostrar que é impossível crescer quando muitos trabalham para poucos, poucos ganham muito e muitos ganham pouco.  A propósito, você ainda tem dúvida de quem paga os mensalões?




Autor: Lino Bernardo Dutra – Contador, conselheiro suplente do CRC-RS


E-mail: contabil@terra.com.br


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