Promover melhorias no vinho gaúcho e incrementar a sua participação no mercado nacional e internacional nos próximos 20 anos. Estas são algumas das metas iniciais do Plano Estratégico para a Cadeia Vitivinícola do Estado-Visão 2025.
A iniciativa do SEBRAE/RS conta com parceria da Faurgs e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) através de seu Centro de Estudos e Pesquisas em Agronegócios (Cepan), e apoio de várias instituições.
O investimento no planejamento estratégico será de R$ 540,6 mil e o estudo deve estar concluído até janeiro de 2005, com a definição dos objetivos e ações do setor para as próximas duas décadas.
Conforme a Gerente de Acesso a Mercado do Sebrae/RS, Naira Libermann, serão constituídos grupos de trabalho específicos que tratarão do detalhamento do plano, especificando recursos, metas e implementação, além de verificar as potencialidades do setor e buscar soluções para a cadeia produtiva.
“O programa beneficiará 620 empresas vinícolas e 12.829 produtores de uva na região da Serra Nordeste e na Metade Sul do Estado, as quais estão distribuídas geograficamente em cerca de 20 municípios, representando 46.334 pessoas envolvidas na indústria e propriedades vitícolas”, destaca Naira Libermann.
Para o diretor superintendente do Sebrae no Rio Grande do Sul, Deomedes Talini, essa iniciativa integra uma ação prioritária do comitê setorial de agronegócios da entidade onde o setor vitivinícola do Rio Grande do Sul tem destaque “pelo número de pequenas empresas que contém e pela sua tradição na economia gaúcha”.
De modo semelhante a outros setores do agronegócio mundial, a indústria vitivinícola tem se caracterizado pela crescente competição entre blocos econômicos, a qual tem sido marcada por um ambiente empresarial cada vez mais intenso em tecnologia e gestão.
Competir mundialmente, ou mesmo localmente, nessa indústria exige, além de atributos de qualidade e diferenciação, capacidade de coordenação estratégica, atualização tecnológica e uma eficiente infra-estrutura de suporte e apoio.
“Alguns países como a Austrália, por exemplo, resolveram de forma eficaz essas questões através de um esforço de planejamento estratégico sistemático e destacam-se por uma crescente presença internacional, despertando o interesse tanto da comunidade acadêmica como do ambiente empresarial”, salienta Naira Libermann.
Apesar de uma significativa melhoria na qualidade de seus vinhos nos últimos anos, a cadeia vitivinícola brasileira apresenta pequena expressão no mercado internacional e enfrenta uma concorrência cada vez maior de vinhos importados no mercado interno. Isso se deve, em parte, a uma série de restrições de capacidade, as quais, associadas a fragilidades estruturais, limitam o aproveitamento de suas potencialidades.
Segundo o presidente do Conselho Deliberativo do Ibravin, Arnaldo Passarin, das cerca de 600 vinícolas no País, a maior parte é de pequenas e médias empresas. Apenas 6% são grandes empresas.
Buscando reverter esse quadro de dificuldades para o segmento, o Plano Estratégico para a Indústria Vitivinícola do Estado será desenvolvido em quatro dimensões: sistêmica, estrutural, empresarial e social.
Entre as ações a serem executadas, destacam-se o mapeamento da estratégia da concorrência internacional, a busca pela melhoria da imagem e reputação dos vinhos brasileiros com a criação de uma identidade regional, a estimulação da inovação e a modernização da indústria como direcionador de vantagens competitivas, a promoção de melhorias nos vinhos nacionais em aspectos como qualidade, pureza, unicidade, tipicidade e diversidade, bem como a formação de técnicos em viticultura para atuar na transferência de tecnologia.
O Plano Estratégico também receberá apoio do Ministério da Agricultura, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Secretaria Estadual do Desenvolvimento e Assuntos Internacionais, Secretaria Estadual da Agricultura, Associação do Vinho de Montanha de Pinto Bandeira, Associação Brasileira de Enologia, Escola Técnica de Bento Gonçalves, Associação de Turismo da Serra Nordeste, prefeituras municipais, BNDES, Universidade de Caxias do Sul, Universidade Federal de Santa Maria, Universidade da Região da Campanha, Associação dos Engenheiros Agrônomos da Região dos Vinhedos, Emater, Fepagro, Comissão Interestadual da Uva, Sindicatos dos Trabalhadores Rurais, Fiergs, Federasul, Instituto Fecomércio, Embrapa, Uvibra, Fecovinho, Agavi, Aprovale, Apromontes e OIV e outras entidades.(ASN)