Algumas pessoas têm certa tendência a pregar valores que não estão dispostas a praticar.
Propaga-se muito que o desenvolvimento e a melhora nas condições de vida de todos depende do esforço de cada um, mas na verdade o problema é que cada um não quer fazer sua parte.
Muitas vezes dizemos que queremos colaborar, mas ou primeiro chamado viramos as costas para os problemas como se não nos dissessem respeito.
Todos fomos afetados com a falta de água na cidade, e sabemos que a situação do SAAEB é extremamente crítica. Alguma solução precisava ser colocada em prática, que obviamente demandaria algum esforço da população, a principal interessada na resolução do problema.
Pagamos uma das menores taxas de água do interior do estado, e não somos um município pouca renda, estamos entre as cidades mais ricas.
Ai vem o aumento da água cinco anos após o último reajuste e alguns estão criticando e chiando. O engraçado é que aquele cidadão que utiliza a água durante um mês para cozinhar, lavar a casa, as roupas, o carro, o quintal, banhar-se e beber acha que o valor mínimo é alto. Mas não acha que tomar em um único dia seis garrafas de cerveja somando o mesmo valor da água consumida ao longo de um mês seja oneroso.
Volto a dizer a máxima “sem sacrifício não existe benefício”.
Um problema crônico brasileiro é que a população adora más noticias. Veja por exemplo o programa mais visto da rede Bandeirantes segundo o IBOPE, o Brasil Urgente. Um telejornal que foca noventa por cento de seu tempo notícias trágicas!
Ai ocorre o seguinte: a população começa a reclamar e a imprensa logo da destaque, mas não destaca que aquela medida seja absoltamente necessária para a continuidade da prestação do serviço de forma satisfatória.
Em Bebedouro, raras exceções, a imprensa tem dado muito destaque a coisas negativas. Acredito, que se não tivermos uma campanha de positivismo, canalizando as energias para a melhoria geral de nossas condições, criando um espírito de otimismo e valorizando o papel de cada um continuaremos na estagnação total, seja econômica, seja política ou social.
Não vemos na cidade um salto de melhoria sob nenhum aspecto há muito tempo, mas também não vemos esforços significativos de ninguém visando à volta por cima tão sonhada e desejada por nós todos.
Se não tivermos consciência de que precisamos nos mexer, abandonar antigos costumes e nos desacomodar, não conseguiremos chegar a lugar algum.
Reclamar por reclamar não nos levará a lugar algum, devemos nos conscientizar que se cada um se esforçar um pouquinho chegaremos ao muito que trará resultados significativos em todas as nossas condições e sobretudo na qualidade de vida de toda a população.
Por José Rodrigo de Almeida.