Entre as propostas da CNI até 2022 está uma estrutura tributária enxuta,
para acelerar a competitividade
Tributos onerosos, concorrência internacional e
escassez de mão de obra qualificada estão no topo da lista das maiores
dificuldades das pequenas e médias indústrias para alcançar índices maiores de
crescimento. Empresários ouvidos pelo Valor reclamam também dos custos que
incidem sobre a folha de pagamento e da falta de infraestrutura logística para
a distribuição de mercadorias. Para tirar as pedras do caminho dos fabricantes,
a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou, este mês, um conjunto de
objetivos que pretende destravar o setor, nos próximos dez anos, em áreas como
tributação, participação de mercado e financiamento.
“Um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento
das pequenas empresas é a elevada carga tributária e a burocracia”, diz
Carlos Eduardo Abijaodi, diretor da CNI. “O sistema do Simples Nacional,
por exemplo, deveria ter um mecanismo que tornasse menos dramática a transição
do pequeno negócio para a contribuição normal.” A entidade estima um
aumento de 34%, na tributação federal, quando a indústria cresce e precisa
abandonar o regime simplificado.
Entre as propostas da CNI até 2022 está uma
estrutura tributária enxuta, para acelerar a competitividade. O plano é zerar a
cumulatividade dos tributos. Assim, o percentual de taxas com caráter
cumulativo passaria de 7,7% para 0%, em dez anos. Outro projeto é engordar a
parcela dos manufaturados brasileiros no mercado mundial, de 1,7% para 2,2%, no
mesmo período.
A CNI defende ainda a disponibilidade de mais
recursos para investimentos. “O Brasil deve aumentar a participação de
recursos de terceiros no financiamento do investimento das empresas de 34%, em
2012, para 50%, em 2022”, registra o Mapa Estratégico da Indústria
2013-2022.
Segundo Eduardo Silva, sócio do grupo FBM, que faz
consultoria de gestão para pequenas e médias companhias, a área de manufatura
sente a falta do apoio do governo, com mais linhas de crédito e flexibilidade
nas relações trabalhistas. Mas ele também identifica uma visão estreita do
futuro, por parte dos empresários. “É necessário ter um planejamento
estratégico de, pelo menos, três anos, para se posicionar frente às
oportunidades que surgem”, diz. “Muitas empresas trabalham com o
prazo de um dia, como uma aplicação do antigo ‘overnight'”.
Sidney Rabinovitch, sócio-fundador da FOM, que
fabrica pufes e almofadas, vai reinvestir 7% do faturamento neste ano, 20% a
mais do que aplicou no ano passado. Parte da verba vai para a expansão da rede
de lojas, gestão de vendas e desenvolvimento de produtos. “O planejamento
inclui a expansão de pontos comerciais em aeroportos”, diz.
Com 250 funcionários, a marca tem produção anual de
360 mil unidades. “A expectativa é faturar 20% a mais em 2013, em
comparação ao ano anterior”, diz Rabinovitch, sem revelar números, mas
diante de um projeto de uma nova unidade fabril. “Teremos crescimento, mas
poderia ser melhor se houvesse mais atenção sobre o crédito e a qualificação de
pessoal.”
Para Milton Bogus, diretor da Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), ainda há pouca informação sobre as
linhas de financiamento disponíveis. “As empresas também têm dificuldade
de informar dados aos agentes financeiros para que eles possam analisar a real
capacidade de pagamento e garantias”, diz. (JS).
Fonte: Valor Econômico
.