Em um ambiente corporativo altamente competitivo como vemos hoje na
maioria das empresas no Brasil e no mundo, não é raro sabermos de casos de
assédio moral e do descontrole, seja de chefe ou de funcionários. As relações
muitas vezes perdem o bom senso, ultrapassam o bullying. Em casos extremos
aparecem os “psicopatas empresariais”.
“Psicopatas” são pessoas capazes de
cometer atos “inumanos”, como crimes, sem sentir remorso. E quando as
atitudes dos chefes ou de algum colega causam revolta, sensação de inferioridade
e impotência, o que são? Pessoas que usam palavras depreciativas, abusam das
brincadeiras que desqualificam, que fazem comparações humilhantes com a
desculpa de se fazer entender ou ser engraçado, tudo o que cabe em bullying e
“assédio moral” e ainda revelam claramente seu descaso emocional pelo
sofrimento de quem recebe essas atitudes são os que nós chamados
“psicopatas empresariais”.
O “psicopata da empresa” é o indivíduo
que não tem consciência do mal que causa ao outro ou considera o sofrimento do
outro algo sem sentido. Como é uma questão comportamental, a inadequação é
facilmente visível no dia a dia do “psicopata”. São pessoas que não
sentem nada? Creio que não. Estamos falando de pessoas que tem tanto medo do
que elas próprias sentem que se tornaram incapazes (por rigidez, falta de
criatividade, de flexibilidade de ideias) de ponderar pensamentos – sentimentos
– e ações para si próprios de forma coerente e positiva. Aí, é claro, também
não o fazem em relação aos outros. Qualquer que seja seu cargo, ele é um grande
egoísta, medroso e culposo (medo do castigo!), disfarça o que não aceita em si
e por isso, percebe a vulnerabilidade dos demais e usa-a porque sabe que isso
os paralisa.
Pensando no empresário como “dono” ou
diretor, cargo superior, sendo a atitude psicopática de um subalterno, este
pode receber feedback claro do empresário. Além disso, a empresa pode dar
cursos e workshops para todos que assim agem ou mesmo, recomendar coaching ou
mesmo terapia ao funcionário.
Sendo o próprio empresário o “psicopata”, seus subordinados
diretos ou seu superior (quando há) podem promover workshops e cursos para que
o grupo abaixo dele aprenda a lidar/cortar estas condutas de forma realmente
eficaz. O desequilíbrio emocional não escolhe cargo, nem salário ou nível de
formação.
Por isso, é preciso ouvir e saber o que ocorre em todo e cada nível da
empresa.
Fonte: DCI – SP/ Solange Ramounoulou é psicóloga, diretora da
VIR, Clínica para o Desenvolvimento Humano.