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Sites de comércio eletrônico e compras coletivas são plataforma para chegar ao grande público


Recomendação, porém, é cuidado
com comissões a serem pagas e aumento forte e rápido da demanda




Nos últimos anos, vários sites de compras coletivas apareceram e tiveram
explosão nas vendas – acompanhada de muitos problemas no atendimento ao
consumidor. Atualmente, alguns já desapareceram, outros mudaram o foco e se
tornaram sites de comércio eletrônico, que agrupam promoções em vários
segmentos. Mas, no geral, ainda são apontados por especialistas como um ótimo
meio para micro, pequenas e médias empresas levarem seus produtos para o grande
público, sobretudo em segmentos como o hoteleiro, têxtil e de alimentação.



Se de
um lado, o empreendedor ganha a oportunidade de vender seus produtos e serviços
para milhões de clientes; por outro, é preciso, de acordo com especialistas,
estar atento às comissões pagas aos sites de compras e estar preparado para um
aumento inesperado da demanda.

– Os
sites de compras são muito importantes, pois formam o primeiro canal de vendas
para muitos empreendedores, já que ter um site próprio pode custar entre R$ 10
mil e R$ 30 mil. Mas esses empresários, que estão começando, na maioria dos
casos, sabem que a demanda pode aumentar exponencialmente. Por isso, têm de
estar preparados para não terem sua imagem afetada – diz Marcelo Soares, da MS
Consultoria.

Foi o
que aconteceu com Danielle Santoro, de 32 anos, que decidiu há três anos montar
uma pequena empresa de doces. Ela, com a ajuda de duas cozinheiras, toca uma
pequena doceria, especializada em brigadeiros. Há dois anos decidiu aderir aos
sites de compras coletivas, mas sofreu no início.


Em duas semanas, a demanda pela minha produção aumentou dez vezes, número que
subiu para 20 três semanas depois. E não consegui atender. Foi uma experiência
difícil, pois não consegui contratar as pessoas na mesma velocidade. Aí, sai da
internet e me preparei. Depois, quando voltei, já estava pronta e tudo começou
a correr bem – lembra Danielle.



Aula na Universidade
Mercado Livre, que qualifica micro, pequenas e médias empresas 

– Andre Velozo

O economista Claudio Carvalho, professor da UERJ e consultor de varejo,
diz que os sites de compras representam a melhor oportunidade para impulsionar
o crescimento das pequenas e médias empresas. Mas ele também alerta para o
despreparo dos empreendedores.




Muitos não têm noção financeira e acabam não levando em conta que os grandes
sites têm comissão sobre cada item comercializado, que pode chegar a 20% em alguns
casos. Eles simplesmente não fazem essas contas. Assim, quando percebem, têm
sua margem quase zerada. Por isso, a dica principal é fazer conta antes de
fechar qualquer negócio e ler todos os contratos – orientou Carvalho.

Os
próprios sites de compras não escondem a importância das pequenas e médias
empresas (PMEs) para seus negócios. Debora Capobianco, gerente de marketing da
Privalia, um dos maiores sites do país, com mais de oito milhões de clientes
cadastrados, diz que o site dá oportunidades de divulgação, por exemplo.

– As
PMEs têm grande importância para o site, uma vez que grande parte delas não tem
um canal online para vendas, tornando a Privalia uma opção de inserção da marca
no mercado digital. Assim, os empresários encontraram mais oportunidade para
investir em seus próprios negócios, tornando-se mais confiantes e investindo
com mais planejamento, o que aumenta a chance de sucesso da empresa – diz
Debora.


SEGMENTO
DE HOTÉIS VEM GANHANDO FORÇA

Debora
também diz que as PMEs devem ter em mente que a competição é grande no mundo
digital.


Assim, os varejistas precisam fornecer a melhor oferta, uma vez que muitas
lojas podem ter o mesmo produto. Dessa maneira é de responsabilidade da empresa
buscar por outros atributos que prendam o cliente, como, por exemplo,
oportunidades de frete, promoções, e destaque do produto, fornecendo o máximo
de informações como medidas, cores, materiais etc – destacou Debora, lembrando
que o site vende principalmente artigos de moda feminina, masculina e infantil,
além de de utensílios domésticos e artigos para a casa.

Na
Méliuz, um dos maiores de compras do país, já são mil PMEs cadastradas, número
que representa cerca de 80% da base do site. Segundo Ofli Guimarães,
co-fundador do Méliuz, os empreendedores, que têm de recolher uma comissão
sobre as vendas efetuadas no site, não pagam taxa para expor seus produtos no
site. Mas Guimarães lembra que as PMEs devem se preocupar com a experiência dos
clientes, oferecendo atendimento qualificado no processo de venda e no pós-venda.

– Hoje
o consumidor está mais exigente em relação à qualidade do atendimento e preço e
não somente à qualidade do produto. O e-commerce é relativamente novo no
Brasil, mas esse mercado tem um enorme potencial em nosso país e muitas dessas
PMEs mudarão de patamar e irão se consolidar como grandes empresas de comércio
eletrônico nos próximos anos – diz Guimarães.

Segundo
ele, com o objetivo de fomentar o empreendedorismo digital no Brasil, a
companhia criou o programa Desafio Méliuz, no qual a empresa deve cadastrar seu
projeto. O vencedor ganhará um prêmio de R$ 50 mil e consultoria mensal da
equipe da empresa durante cinco meses. As inscrições começaram no dia 15 de
outubro e os interessados deverão acessar o site do Méliuz (


www.meliuz.com.br/desafiomeliuz

)
e cadastrar o seu projeto.

– O
desafio está aberto para qualquer tipo de empreendedor, desde empresas
nascentes, até as em estágios mais avançados, além de blogueiros, que também
podem participar do programa – observa Guimarães.

No
MercadoLivre.com, um das plataformas de comércio eletrônico mais conhecidas do
país, cerca de 85% dos produtos são anunciados por micro, pequenas e médias
empresas, segundo Flávia Marcon, gerente de Desenvolvimento de Vendedores do
MercadoLivre.com. De acordo com pesquisa feita pela Nielsen, a pedido da
empresa, o site é a única fonte de renda para 51,7 mil empreendedores e seus
98,5 mil funcionários.

– O
MercadoLivre faz diversas ações ao longo do ano para promover seus vendedores e
atrair mais demanda para o site. Outro importante momento de apoio aos novos
empreendedores são os eventos voltados para os vendedores, como a Universidade
MercadoLivre, evento realizado anualmente, no qual oferecemos qualificação – diz
ela.

Um dos
segmentos mais ativos na internet é o de hotéis, dizem especialistas. Antônio
Gomes, um dos fundadores do Hotel Urbano, que conta com mais de 6 mil
parceiros, diz que é o próprio site que fecha as parcerias com os
empreendedores em visitas feitas às cidades do país. Ele ressalta ainda a
importância de os empreendedores pesquisarem o nível de satisfação de seus
clientes, já que a hotelaria sobrevive com uma base de clientes fiéis,
conquistadas no “boca a boca”.

– O
brasileiro tem por natureza ser empreendedor e, por isso, temos diversos
exemplos de pessoas que passaram a alugar vagas ou quartos dentro de suas
residências, e logo depois registraram como pousada. A facilidade de montar um
hostel, uma guest house e até mesmo uma pousada a partir de uma casa de praia,
casa de campo ou um sobrado no centro da cidade é enorme. Por isso, sugiro
sempre que seja feita pesquisa de satisfação com seus clientes. Boa parte do
nosso faturamento vem das PMEs – afirma Gomes.

E os
empreendedores devem estar atentos ainda para os negócios via celular. Quem faz
o alerta é Michel Piestun, presidente executivo do Groupon para América Latina.
No Brasil, a empresa conta com 30 mil pequenas e médias empresas cadastradas
que vendem produtos variados e serviços como os de gastronomia, beleza,
estética e entretenimento.

– As
PMEs demandam uma maneira simplificada de divulgar seus produtos e serviços.
Além disso, estão formando a carteira inicial de clientes e precisam manter seu
fluxo de caixa. E este é o nosso trabalho. É ajudar essas empresas a entrar em
contato com seu público-alvo, seja por meio do nosso site na web ou pelo
aplicativo móvel. As ofertas são divulgadas no Brasil para uma base de mais de
25 milhões de assinantes – diz Piestun.

Fonte: O Globo.

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