Poucos setores da economia têm uma relação tão estreita e diretamente ligada ao segmento logístico quanto os supermercados. É justamente a partir desta proximidade, e sobretudo desta dependência, que começam – e que muitas vezes terminam – os problemas do varejo. Para um supermercado, o planejamento do processo logístico, desde o transporte do produto ao seu recebimento, estocagem e reposição nas gôndolas, caracteriza-se como um diferencial de competitividade que merece cada vez mais atenção pelas empresas.
Pensando nisso, o autosserviço gaúcho está apostando em novos maquinários e, sobretudo, no treinamento de colaboradores para potencializar um processo que desencadeará inevitavelmente no preço e na qualidade dos itens que chegam aos consumidores. Mas a questão logística é muito maior. É preciso, antes de mais nada, que o poder público preocupe-se em garantir o fortalecimento e o crescimento do setor atacadista, espelhando-se em modelos como o norte-americano, onde há empresas de atacado que distribuem, sozinhas, cerca de 20 mil itens, configurando-se praticamente como fornecedoras exclusivas do pequeno varejo. Neste sentido, é preciso elogiar o Governo gaúcho, que declarou oficialmente guerra às fraudes fiscais no comércio atacadista cometidas por empresas sediadas em outros estados com supostas filiais no RS. Essas empresas, conhecidas como filiais de fachada, praticavam concorrência desleal e utilizavam esse subterfúgio para lesar o Estado.
Por contarmos com uma frota de caminhões muito antiga e inoperante, é necessário que os governos adotem a utilização do IPVA exclusivamente em investimentos para as estradas e na otimização da malha viária. O ideal, inclusive, é que seja adotado o sistema de cobrança de pedágios unicamente por número de eixos – e não diferenciando-se os valores de veículos de passeio para os de caminhões. A cobrança do pedágio deve ser sempre balizada por tarifas justas e pela clareza dos contratos, atualmente obscuros, de concessões das rodovias pedagiadas. E estas estradas precisam, em regra, seguir rigorosos padrões de segurança internacional. Afinal, não há ação melhor que esta que possa otimizar os processos de entrega e garantir a mobilidade.
Além da adequação de nossas estradas, é preciso que pensemos, a médio prazo, na dinamização de nossa infra-estrutura portuária e na reestruturação de nossa malha ferroviária. O que mais incomoda, em um primeiro momento, é a ausência de convergência de políticas municipais, estaduais e federais que beneficiem o processo logístico.
Ao Governo, é indispensável pensar coletiva e rotineiramente em soluções para o assunto. Às transportadoras, cabe um controle maior sobre as equipes de entrega, já que a violação e abertura de caixas acabam atrasando a entrega e o recebimento dos produtos ao varejo. Ao segmento varejista e especialmente aos supermercados, o importante é que pensemos em logística como um processo cada vez mais racional e estratégico, e menos operacional e intuitivo. O desatar do nó logístico brasileiro deve partir invariavelmente de todas as mãos.
Por Antônio Cesa Longo, Presidente da Associação Gaúcha de Supermercados.