Entrevisto pessoas que buscam por trabalho há cerca de 20 anos. Recebo pessoas assustadas, ansiosas, agressivas, tristes, desesperançadas, sentindo-se desvalorizadas por estar “no mercado”, e muitas vezes por um tempo maior do que elas poderiam imaginar. Também converso com pessoas que buscam trabalho, mas que se conservam doces, compreensivas, humildes e prontas para um novo desafio. São posturas diferentes e que têm como resultado uma consequência diferente. Entendo que é muito difícil manter calma e controle quando o desespero bate à porta. O Senhor Mercado é cruel, e as empresas anseiam por líderes, entusiastas, perseverantes, inovadores. Deprimidos? No momento, agradecemos. Somos humanos, sofremos, todos temos limitações, até mesmo os grandes heróis da humanidade viveram momentos de fraqueza e desesperança. Por que esta exigência por profissionais super-homens em um momento de extrema fragilidade? Sim, é cruel. É injusto. Mesmo assim, as pessoas continuam lutando, levantando de manhã na esperança de um dia melhor, boas notícias, o carinho de alguém, um convite. E, quantas vezes, nós, selecionadores profissionais, poderíamos ser este afago em um coração apertado de um desempregado? Poderíamos recebê-lo com um sorriso, uma atitude positiva, valorizando suas qualidades já até esquecidas.
Quantas vezes poderíamos abrir a porta da saída de nosso confortável escritório para um cidadão renovado com o encontro que teve conosco? Esta missão é nossa! Além de indicar bons candidatos para as vagas, além de oferecer solução para nossos clientes empresas, nossa missão é receber todos os profissionais que nos procuram com respeito e consideração. Que aquela hora que ele dedica a nós, entrevistadores, reverta em descoberta, em ânimo, em valor para sua vida. Possamos nós também contribuir, naquele momento em que tantos nos confiam suas vitórias, derrotas, até segredos. Algumas pessoas têm um conhecimento de si mesmas mais apurado. Dão-se conta de suas competências e limitações. Outras não. Sabem pouco de si mesmas e podem benefíciar-se muito com alguém que sirva de espelho, ou, pelo menos, que aponte as características que mais se evidenciam. Muitas vezes ajudamos o profissional a se dar conta de um potencial quem ele nem sabia existir. Provocar uma reflexão neste sentido pode ser o início de uma nova trajetória, de novos horizontes de trabalho. Pensar junto, descobrir alternativas, diluir mitos, iluminar os caminhos, e aproveitar este momento de crescimento.
Autora: Luciane Beretta – Krabbe & Beretta Executive Search
E-mail: beretta@krabbeberetta.com.br
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