O ano de 2004 foi positivo para a Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul – Sulgás. A distribuidora de gás natural, que tem o controle acionário dividido entre o Governo do Estado (51%) e a Petrobras (49%) faturou, no ano passado, R$ 382,6 milhões e obteve lucro líquido de R$ 22,6 milhões, o equivalente a mais de 59% em relação a 2003. Somente em 2004, a Sulgás investiu cerca de R$ 11,6 milhões na construção de 20,5 quilômetros de dutos. Entre essas obras, destacaram-se a conclusão da rede serrana até Bento Gonçalves e diversos ramais de ligação na Região Metropolitana de Porto Alegre. Além disso, foram atendidos 23 novos clientes, o que representou o alcance de 100 consumidores de gás natural em todo o Estado, até o fim do ano.
Estes números fazem parte do balanço da empresa apresentado nesta quarta-feira (13), no Palácio Piratini, pelo secretário de Energia, Minas e Comunicações, Valdir Andres, ao governador Germano Rigotto. “O lucro da Sulgás repete o que vem ocorrendo nas demais empresas estatais, como o Banrisul e a Corsan”, ressaltou o governador. “E isto com um quadro enxuto, de pouco mais de 70 funcionários”, acrescentou Rigotto. Para o secretário Andres, o investimento da Sulgás em todo o Estado trouxe inúmeros benefícios aos consumidores de GNV e aos empresários, que ganharam competitividade graças ao menor preço deste combustível. “Além dos benefícios financeiros, o gás natural representa o investimento em um combustível ecologicamente correto, que não agride o meio ambiente”, completou Andres.
O aumento da demanda de clientes e a conseqüente expansão do consumo de gás natural boliviano foram decorrência da conjuntura macroeconômica em 2004. Com a retomada do crescimento da indústria ao longo do ano, graças aos esforços do Governo do Estado, houve incremento de 12,6% nas vendas de gás natural para o setor. Paralelamente, ocorreram a valorização do real perante o dólar e a fixação de teto para o valor do commodity pela Petrobras. Isso amorteceu o impacto da alta do petróleo e resultou em queda do custo de aquisição do gás boliviano.
Esse cenário de estabilidade permitiu à Sulgás, como já havia acontecido em 2003, manter uma política comercial competitiva. A redução de preços em 5%, em março, e a manutenção no decorrer do ano ajudaram a alavancar as vendas não só no segmento industrial, como também nos setores automotivo (25,96%), comercial (1.211,99%) e de co-geração (39,57%). Ao todo, o volume das vendas de gás boliviano atingiu a média de 20% a mais que em 2003.
Argentina
Por outro lado, a crise energética da Argentina prejudicou o fornecimento de gás à Termelétrica da AES, em Uruguaiana. O suprimento chegou a ser suspenso por cerca de 40 dias, devido à determinação do governo argentino. Apesar da paralisação, houve aumento de 12,13% em comparação com 2003.
Neste ano, a Sulgás aposta na continuidade do crescimento econômico no Estado e no conseqüente aumento da demanda de gás natural nos diversos segmentos. Atender a essa demanda e oferecer uma nova alternativa energética a um maior número de localidades possível são um desafio permanente da empresa, do Governo do Estado e da Petrobras.
Entre os projetos para 2005, destacam-se o desenvolvimento dos city-gates de Araricá e de Igrejinha, o fornecimento de Gás Natural Comprido (GNC) por carretas-feixes a localidades ainda não-atendidas pela rede de gasodutos (como forma de antecipação de mercado), o fornecimento de gás residencial ao Bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre, o fechamento do anel de Porto Alegre (para garantir maior segurança operacional) e a extensão da rede em direção à Zona Sul da Capital.
Comércio
Na área comercial, estima-se que o crescimento do GNC continue no mesmo ritmo, com aumento do número de postos e atendimento a novos municípios, de modo a incrementar significativamente o número de veículos convertidos. Destaca-se também a perspectiva de incremento no consumo industrial, por força da retomada do crescimento econômico no Estado, e a ampliação da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) e da Aços Finos. Incluem-se ainda entre as expectativas para este ano a comercialização de gás às primeiras residências e a maturação de novos projetos de co-geração.
Para isso, serão investidos em torno de R$ 30 milhões na ampliação da rede de distribuição. Atualmente, a Sulgás conta com 400 quilômetros construídos e atende por meio do GNC a 17 municípios gaúchos dos quais 15 estão na Região Metropolitana e na Serra e um pertence ao Litoral. O outro é Uruguaiana, onde o abastecimento é feito com gás argentino.