Sensibilidade, intuição, habilidade de relacionar-se com clientes e comunidades, organização, disposição, são dotes femininos que neste século farão a diferença
Sensibilidade, intuição, habilidade de relacionar-se com clientes e comunidades, organização, disposição, são dotes femininos que neste século farão a diferença. O homem foi o importante ator das transformações na Era Industrial. A vez agora é da mulher participar ativamente nos grandes movimentos da era em que os serviços e entretenimentos estão na tona.
Pesquisa da Global Entrepeurship Monitor (GEM), divulgada recentemente em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), aponta que de um universo de 14 milhões de empreendedores no Brasil, 6,44 milhões são mulheres. A pesquisa é organizada pela Babson College (EUA) e pela London Business School (Londres) e realizada anualmente em 31 países. A taxa de mulheres empreendedoras saltou de 29% em 2000 para 46% em 2003.
Dados da pesquisa mostram que as mulheres empreendem mais por necessidade do que os homens – 42% contra 39%. Isso leva-nos a pensar que a própria natureza das atribuições femininas, ainda como dona de casa, mãe e esposa, contribuem para que sejam mais cautelosas ao arriscar-se como donas de um próprio empreendimento.
Há também de se louvar as iniciativas empreendedoras femininas no campo de trabalhos voluntários e de responsabilidade social, pois as mulheres já carregam naturalmente o DNA das atribuições de “cuidar e proteger o outro”, enquanto exercitam o papel de mãe. Isto é um dado que contribui para o desenvolvimento de trabalhos de responsabilidade social, inegavelmente agregando valor às empresas.
As empresas lideradas por mulheres são, então, diferentes daquelas lideradas por homens?
Não saberia classificar se a excelência dos produtos, processos e resultados é mais visível quando as mulheres são líderes , mas uma coisa há de se ponderar: muitas vezes a excelência no gerenciamento da força humana não está em planos ou sistemas sofisticados, mas em detalhes que mostram a atenção que a direção da empresa dispensa a seus colaboradores, estimulando práticas que visam, acima de tudo, a motivação de seu pessoal.
E focando neste tipo de gestão, a força feminina se destaca, investindo em rituais de celebrações, concedendo prêmios, memorizando os nomes de todos os colaboradores, circulando e sendo vista constantemente nos departamentos da empresa. Exemplo disso é a força que representa o Magazine Luiza em todo Brasil.
Estava fazendo a revisão geral deste artigo durante o vôo de Brasília a Campo Grande (na noite desta última sexta-feira), quando vi uma reportagem em uma revista de bordo que me chamou a atenção. Resolvi então, abrir um parênteses aqui e inserir um pensamento (no mínimo provocador) sobre o trabalho desenvolvido por um grande líder que conviveu com uma dezena de mulheres durante sete anos e agora está fazendo o mesmo, só que com uma dúzia de homens: “Fala-se de TPM feminina, mas ao menos ela tem um ciclo, a gente sabe quando acontece. E os homens que a gente nem consegue identificar porque aquilo está acontecendo?
“Não existe ciclo, não existe nada, você não tem como prever, de repente – pum – acontece”. Quem afirma isto é o técnico da Seleção Brasileira de Vôlei masculino, Bernadinho, enfatizando que o trabalho em equipe com mulheres é mais fácil de se gerenciar porque as reações femininas são mais transparentes enquanto que o homem faz o estilo “não preciso de ninguém”. Enfatiza que a mulher quando acredita nela mesma , se dá mais ao projeto, é uma integrante da história e não acha que sozinha se basta.
As questões de gênero tornam-se mais relevantes e discutidas no âmbito da educação empreendedora no Brasil . E nesta abordagem , o traço do batom empreendedor vai mexer com o coração dos homens!