Quem visitar Santana do Livramento, cidade de mais de 100 mil habitantes, no extremo sul do Brasil, vai observar que lá acontece, na prática, uma realidade que os teóricos pregam a séculos o ideal para a paz entre os povos, ou seja, entrosar-se apesar das diferenças étnicas. É o que acontece entre os moradores de Livramento e Rivera, no Uruguai. Eles convivem em harmonia, conservando porém os valores essenciais de sua própria história. Participam, por exemplo, de eventos e festas típicas, como se fossem parte de sua própria cultura e nacionalidade, como deve ocorrer, em Livramento, nas comemorações alusivas à Semana Farroupilha, em setembro, conforme está programado. A boa vizinhança, aliás, é uma característica da região, ocorrendo em outras cidades fronteiriças do extremo-sul, como Quarai-Artigas e Uruguaiana-Libres, nas quais até o idioma é praticamente o mesmo: Fala-se o portunhol, uma mistura de português e espanhol.
Levando em conta essa especial particularidade de entrosamento de raças, algo que está na essência da atividade turística, a Empresa Brasileira de Turismo (EMBRATUR), o Serviço Estadual de Turismo (SETUR) e a Câmara de Turismo do Rio Grande do Sul realizaram em Livramento o II Encontro de Guias de Turismo do Mercosul, em agosto último. Além de proporcionar uma nova visão de mundo, o encontro serviu para que os cerca de 200 guias de turismo aprimorassem ainda mais suas qualificações, ouvindo palestras de técnicos do setor. Acima de tudo, tiveram reforçado o entendimento de que ocupam posição de destaque no grupo de profissionais que tem por função proporcionar ao turista uma rica e proveitosa experiência de viagem, exatamente o que pretende quem decide fazer o passeio, seja de férias, seja de negócios ou de natureza profissional.
O Exemplo de boa convivência entre os brasileiros e uruguaios começa nos poderes constituídos. As autoridades militares de Rivera concordaram em destacar um grupo de soldados uruguaios para desempenhar o serviço de garçons na festa de confraternização, que reuniu, num almoço campeiro, no CTG Orelhano, na vizinha Quarai, os guias de turismo do Mercosul. Outro detalhe que merece destaque é que todos os militares vestiam fardas, e, na sobremesa, foram servidos alfajores, doce típico do Uruguai.
A Câmara de Turismo do Rio Grande do Sul entende que o setor ganharia uma tremenda força com a eliminação de barreiras burocráticas para viagens entre países integrantes do Mercosul, medida que também serviria para aproximar habitantes do continente latino-americano, que têm tanta coisa em comum. O clima de paz e harmonia entre pessoas de nacionalidades diferentes, como se observou no II Encontro de Guias de Turismo, reforça essa posição e confirma que a entidade está no caminho certo.
Autor: Wilson Müller – presidente da Câmara de Turismo do Rio Grande do Sul
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