Mudei de sala no trabalho.
Fiquei alguns meses num lugar onde
não tínhamos nem janelas.
Só a luz das lâmpadas fluorescentes.
A gente se acostuma. Acostumamos-nos
com tudo. É difícil, mas…
Mas não foi fácil.
Ontem mudei.
Tem até janelas.
Esquadrias de alumínio.
Por elas estou vendo a luz do dia.
Por elas estou vendo as árvores.
Por elas estou vendo os pássaros.
Estou ouvindo o cantar dos pássaros…
Voltei à normalidade.
Fico pensando: na Arca de Noé. Todo o
tempo fechado até passar o Dilúvio…
Voltei à realidade.
Voltei à claridade.
Como o dia é lindo!
Muitas vezes a gente tem a realidade
e não se satisfaz.
Somente com as desventuras por perto
é que sentimos a ingratidão.
Somos ingratos conosco.
Isso faz parte do nosso ser.
Infelizmente!
“Verde que te quero verde”.
Voltei a trabalhar com a visão do
verde. Do sol. Do dia. Da chuva. Dos pássaros. Do mundo como ele realmente é.
“Verde que te quero verde”.
Por David Iasnogrodski.