O padrão clássico do turista está mudando e vai mudar ainda mais no futuro. Embora tenha bom dinheiro para gastar durante as férias, ele terá pouco tempo disponível para desfrutar delas. Assim prevalecerão as viagens regionais, pois o novo turista dará preferência aos locais mais próximos do lugar em que vive. O tempo dedicado ao lazer será dividido em várias saídas durante o ano, e os personagens também serão diferentes, conforme a época. No verão, irá a família toda, na meia-estação, apenas o casal, e no inverno, os filhos viajarão sozinhos. No futuro, mais que hoje, as diferenças culturais serão um atrativo altamente valorizado pelo turista. Isso porque a globalização resulta na padronização de grande parte dos serviços e produtos, tornando as cidades cada vez mais parecidas uma com as outras. Além disso, o interesse pelos países exóticos será substituído pelo interesse em aliar entretenimento ao aprendizado, à instrução, à riqueza de conhecimentos. Como a consciência ambiental vai crescer, o turista de amanhã também dará preferência a países que se destacam pelo respeito à natureza. O novo turista estará igualmente preocupado ainda mais com saúde e segurança. Assim, evitará regiões em que corra o risco de contrair doenças decorrentes de epidemias ou aquelas em que esteja sujeito aos sobressaltos provocados por atos terroristas. Isso já aconteceu em 2003 nos países em que grassou a chamada “pneumonia asiática”, e está acontecendo no Oriente Médio. Assim, parece lógico supor que prevalecerão como destinos turísticos no futuro as áreas mais seguras, como a Europa e América do Sul, bem como Estados Unidos e China. Aliás, a China já figurava em 5º lugar entre os dez países com maior movimento turístico no mundo em 1999.
Pode-se prever ainda que nos próximos 20 anos crescerão substancialmente as viagens de turismo feitas por pessoas com idades entre 45/65 anos de países desenvolvidos, pelo simples motivo de que terão mais vontade de viajar, tempo e renda para isso. Outra questão a ser considerada por profissionais e organizações envolvidas com o setor é a força da internet, tanto no que diz respeito a informações sobre destinos como a comercialização de bilhetes e pacotes turísticos.
Autor: Wilson Müller – Presidente da Câmara de Turismo/RS.
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