O aperto fiscal praticado pelo governo conseguiu, neste ano de 2004, economizar R$ 63,7 bilhões até o mês de agosto. Insuficientes para cobrir os gastos com o pagamento dos juros da divida interna no mesmo período, que totalizaram R$ 83,7 bilhões, ocasionando um déficit de R$ 20 bilhões, coberto por cortes de gastos em outras áreas. A dívida interna, incluindo-se a União, estados, municípios e estatais, em agosto, chegou a R$ 941,3 bilhões, o que é altamente sabido como simplesmente impagável, portanto, é apenas rolada nos seus vencimentos. Para tanto, o governo federal utiliza os instrumentos de aumento de arrecadação dos tributos e a mão de ferro na liberação dos recursos, é a sua política fiscal. De tal forma que para cada R$ 10,00 autorizados por lei orçamentária, apenas R$ 1,00 é liberado. E, mesmo assim, esse pouco liberado não consegue chegar à população, pois é gerido por amadores preocupados em fazer profissão de fé ideológica. Esse mínimo já daria um alento nas mais diversas ações do governo se fosse administrado por quem sabe o que faz. Por outro lado, o governo foi pródigo na liberação de recursos para a sua propaganda institucional, dos R$ 123 milhões previstos na lei orçamentária, R$ 69,4 milhões já foram gastos, ou seja, 56%. Enquanto isso, o presidente do Banco Central aponta a desvinculação da política monetária executada pela instituição, da política fiscal do governo em andamento. Ou seja, as ações do Copom com sua política visam aumentar a taxa dos juros, já a política fiscal tem como foco o aumento do superávit primário.
O que, no entender do presidente do Banco Central, mostra estar o País no caminho certo. Entretanto, sem nenhuma surpresa para quem observa o que está acontecendo, os dados divulgados pelo IBGE sobre os indicadores de emprego e renda no Brasil, conforme pesquisa por amostra de domicílios (Pnad-2003) refletem a queda, pelo sétimo ano consecutivo, do rendimento médio do trabalhador brasileiro. O presidente do instituto afirmou que a pesquisa “mostra ser esse o preço pago para equilibrar as finanças públicas, reduzir o perigo inflacionário e equacionar o problema da dívida externa.” Esqueceu da dívida interna. Enfim, essa conta está sendo paga pelo emprego e pelo rendimento. Tudo isso me faz lembrar a famosa frase proferida nos anos 70, no auge do “milagre brasileiro”, pelo ex-presidente Médici: “A economia vai bem, mas o povo vai mal”. Todos esses argumentos dos executivos do atual governo nos trazem a sensação de voltar ao passado.
Autor: Décio Pizzato – Economista
E-mail do Autor: dbpizzato@cpovo.net
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